As representações de pedras preciosas na arte são variadas, tendo, no entanto, sido particularmente recorrentes em determinados períodos da História do Ocidente, em especial nos períodos imediatamente a seguir à abertura do caminho marítimo para a Índia.

As gemas que começaram a chegar à Europa em muito maiores quantidades através do eixo Goa-Lisboa, tiveram um impacto muito significativo nas sociedades desses períodos, estando isso especialmente patente não só na joalharia como é fácil de compreender, mas também nas artes decorativas e na arquitectura.

Na azulejaria, domínio do património integrado tão ao gosto ibérico e de clara influência árabe, o diamante encontra-se repetidamente invocado, tanto na sua forma cristalina mais comum, o octaedro (que deu origem ao talhe em ponta, muito popular no séc. XVI), como num estilo de lapidação que teve ampla aceitação em Quinhentos e princípios de Seiscentos, o talhe em mesa.

O revestimento interior da Igreja de São Roque, em Lisboa, aqui representado na imagem, é um dos mais notáveis testemunhos desta realidade e fica a escassos cinco minutos a pé da Leitão & Irmão no Largo da Misericórdia. Datados de 1593, estes azulejos policromados (ou seja, em várias cores onde aqui dominam o azul, amarelo e castanho) foram produzidos em Sevilha, tendo o padrão em Ponta de Diamante ganhado popularidade na produção em Portugal durante o primeiro quartel do século subsequente. Nestes azulejos são bem evidentes as pontas do cristal octaédrico do diamante que convivem com outros motivos maneiristas, assim como o referido talhe em mesa. Esta forma parece estar aqui representada por um quadrado rodeado com uma moldura de losangos, sugerindo a geometria da coroa (porção superior) da pedra lapidada.

Rui Galopim de Carvalho, Founder – Portugal Gemas Academy

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